Invariavelmente, tenho constante interpretações erradas de tudo que acontece ao meu redor. Isso se deve, em grande parte por conta da ansiedade. Essa ansiedade me faz já dar opiniões sem nem ao menos pensar ou analisar o acontecimento. Faz com que fale de algo sem nem ao menos ter a mínima noção ou de ter refletido a respeito daquilo questionando todos os fatos.
E isso é completamente normal da minha parte, pois não tenho o hábito de questionar ou de pensar a respeito de todas as variáveis que estão sendo tratadas. Dessa forma, imagina quantas vezes fui injusto. Quantas vezes eu fui ingrato ou insensato com outras pessoas. Quantas vezes eu errei em interpretar algo de que realmente não era o que estava imaginando que seria. Prefiro nem pensar muito a respeito disso. Triste fato. Quantas injustiças cometi. Que falha.
A reflexo disso, percebo hoje (e sou responsável por isso) o quanto sou uma pessoa desinteressante. Do tipo daquelas pessoas de que ninguém gosta muito de ficar por perto. Daquele tipo de pessoa que não atrai muita gente. Imagino que só não afasto mais pessoas devido a ter um pouco de uma certa positividade com relação à vida, pois do contrário, haveria muito mais gente que se afastaria.
Não que seja o monstro dos monstros, ou aquele cara do mal ou algo do tipo, mas que trago em mim uma certa simpatia com pouco conteúdo. Até tento me enturmar, mas com poucas ou quase nenhuma relevância perante aos demais. Nunca fui de encantar nada e nem ninguém. Nunca fui o cara interessante do qual as pessoas gostam de estar por perto. Pode parecer sim, que pessoas confiem em mim, devido a qualquer outra característica minha, como a lealdade por exemplo, mas que em nenhum outro ponto, seria solicitado (a não ser para poder quebrar algum galho para determinadas atividades solicitadas pelos amigos e familiares).
Assim sendo, mesmo que não seja um monstro abominável, também não sou o cara ideal, inteligente e interessante que desperta a atenção de todos, mas acredito que estou no meio termo. E o caso do “meio termo” não soa muito bem, pois se trata de algo médio, mediano, que se encontra no meio. Algo como “nem lá” e “nem cá”. O famoso “em cima do muro”. Que não tem uma definição concreta dos assuntos. Que prefere não opinar para não estragar amizade com nenhum dos lados, mas sim concordar com ambos e manter a amizade. Isso é ruim e nada legal.
Estou no meio da sala, aquela turma do meio das classes de aula, onde temos os “CDF’s” das primeiras fileiras, e a galera do fundão que não liga muito para o que os outros pensam. Enquanto isso, temos a galera do meio, que não se decidiu se fica no fundo ou na frente. Na verdade preferem ficar no meio junto a muitos outros para serem pouco notados, diferentemente das pessoas do fundo e da frente. Ironicamente falando, eu sempre fui mais aluno do fundão mesmo. Cheguei a frequentar as fileiras da frente (sem ser nenhum tipo de CDF) e também fiquei por um tempo no meio, mas acredito que me identificava mais com a turma do fundão mesmo. Ainda mais depois de uma professora dizer que a galera do fundo seriam os empreendedores que teriam a galera da frente como seus melhores funcionários.

Claro que toda regra tem exceção e isso não se trata de uma lei que funciona ao pé da letra. Existem pessoas de todos os tipos, que viraram empreendedores pertencendo as primeiras fileiras, no meio ou no fundão. E também há os fracassados (assim como eu) que frequentavam o fundão, o centro e a frente. Outros ainda, se deram bem sem nem terem frequentado à escola. Tudo muito relativo, onde o que importa é a pessoa e seu caráter, transformando em pessoas boas ou ruins.
As interpretações errôneas de que exponho aqui, se dão devido a minha total falta de sensibilidade em perceber o ambiente ao meu redor, a ansiedade de que já comentei e a essa minha capacidade de não ter meus objetivos definidos, onde me deixavam aleatório em todos os lugares. Ora estava na frente, ora no meio e ora no fundo, seguindo onde identificava sintonia. E até essa identificação também era errônea em alguns casos, me transportando para um ambiente do qual eu não fazia parte.
Sem definições de propósitos e sem saber o que queria da vida, eu iria continuar assim mesmo, sem nem saber ao certo onde me sentar e de qual grupo fazer parte. Continuando a ter interpretações indefinidas ou errôneas. Continuando a seguir sem rumo, pois para quem não sabe onde ir, qualquer estrada serve, como diria o gato da Alice no país das maravilhas. E seguiria no meu mundinho sem ter algum tipo de relevância para as pessoas.
Em grande parte das coisas que acontecem ao meu redor, tenho sim pensamentos equivocados que faço sem uma prévia análise, e por conta da ansiedade também, acabo tirando conclusões precipitadas que acabam não condizendo muito com a realidade. As vezes faço muito disso mesmo. Parece uma predisposição minha mesmo, que está enraizada ou que faz parte da minha natureza, sei lá. Como aquela canção que diz, “…procurei me manter afastado, mas você me conhece, eu faço tudo errado… tudo errado…”.
Erro, e erro mesmo. Erro nas minhas atividades. Erro no meu trabalho. Erro em como lidar com as pessoas. Erro no que escrevo, nesse artigo e nos outros e em muitas outras coisas faço minhas interpretações erradas de que não era bem assim mesmo. Mas o que vou fazer para poder acertar? Nem sei se quero realmente acertar. Vou errar e desagradar muitos por um lado. E por outro lado, vou acertar ao corrigir alguns erros, mas que vou errar em outras coisas e está tudo bem. Vai acontecer mesmo. Então vamos continuar. Caminhando. Segue em frente, errando ou acertando, o importante é que continuo em movimento e não estou aqui parado criticando àqueles que estão fazendo algo. Vou seguindo e continuar fazendo, errando ou acertando, mas continuar fazendo. Se fizer algo errado, irei corrigir mas continuarei fazendo. Se fizer algo certo, também vou agir da mesma maneira procurando melhorar sempre e continuar seguindo adiante. Fazendo!